Rua Cloverfield, 10

Por Ricardo Brandes

Pra quem assistiu Cloverfield – Monstro, eis aqui uma quase continuação. Pra quem, como eu, NÃO assistiu, não tem problema:  Rua Cloverfield, 10 traz uma quase sequência temática do primeiro filme, mas com muitas diferenças e uma total independência dos personagens e acontecimentos do primeiro filme.

Basicamente, eis aqui um misto de O quarto de Jack com Independence Day, que apresenta ao público a claustrofóbica e assustadora experiência de Michelle (muito bem interpretada pela atriz Mary Elizabeth Winstead).

Após um acidente na estrada, a personagem acorda presa, em um lugar sinistro e cheio de mistérios, que lembra um cenário de puro terror. Ali, Michelle se depara com Howard Stambler (assustadoramente interpretado pelo veterano John Goodman). Em meio ao mistério e suspense intensos, a guerreira Michele vai tentando descobrir (junto com o espectador) o que realmente aconteceu, e porque foi proibida de sair daquele lugar.

John Goodman as Henry; Mary Elizabeth Winstead as Michelle in 10 CLOVERFIELD LANE; by Paramount

John Goodman as Henry; Mary Elizabeth Winstead as Michelle in 10 CLOVERFIELD LANE; by Paramount

Um thriller com forte viés psicológico, que traz um pequeno elenco de três atores em um bunker, com momentos de tensão extrema, capazes de prender o espectador e fazê-lo sentir-se parte desse cenário. O que realmente aconteceu ali? Um simples sequestro? Um ataque alienígena? Uma guerra nuclear? Ou foi tudo loucura na cabeça perturbada de Howard?

A personagem da atriz Mary Elizabeth Winstead cativa o público e o convida a torcer por ela, acompanhando seus medos e dificuldades. Entre os fatos curiosos, há alguns easter eggs inseridos no filme (é fácil encontrá-los no Google) e uma breve e curiosa participação de Bradley Cooper, como namorado de Michelle.

Até o ponto de virada do filme (sem spoilers! assista para saber), prevalecem as claras referências ao filme O quarto de Jack, com momentos de descontração, e outros de susto e alta tensão. Após o grande acontecimento em questão, o filme se aproxima da linha de  Independence Day, e toma rumos inimagináveis.

A parte negativa da produção fica exatamente por conta da parte final, onde a surpresa do espectador dá lugar ao questionamento: cabe espaço para um final tão inesperado e descabido, em uma produção tão promissora? Ao final do filme, saí com uma certeza: assisti a um grande filme, que poderia ter terminado de forma mais digna e gloriosa.