O início do melhor do cinema nacional: Faroeste Caboclo

Por Brendom da Cunha Lussani

Incrivelmente perfeito. Essa é a definição de “Faroeste Caboclo”.

Todo mundo conhece a história, sabe como começa e termina, mas tudo na imaginação. Cada qual com seu João do Santo Cristo e Maria Lúcia. Mas ver tudo aquilo, que tu cresceste imaginando virando real, é sem dúvida uma experiência incrível.

O filme já começa te dando um tapa na cara e mostrando a que veio. Morte e sangue marcam os primeiros minutos, focando a difícil vida de João. Quando finalmente se muda para Brasília, tu percebes o quão próximo são os filmes “Somos Tão Jovens” (produzido no mesmo ano) de “Faroeste Caboclo”. A impressão que dá é que um é a continuidade do outro. Essa semelhança se dá pelo fato de ambos serem na mesma época, no mesmo tempo dos hormônios a flor da pele e sede de mudança, mas logo tudo isso cai por terra e “Faroeste Caboclo” se torna único.

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Como na música, o filme narrada à história de um amor entre dois jovens. Mas um amor bandido, proibido. Tu és levando e convencido a comprar o amor da garota rica da cidade grande e do traficante em ascensão. Um amor do qual te excita e que ao mesmo tempo lhe oferece uma dose de diversão e uma carga pesada de drama, angustias, violência e sangue.

Com uma alta dose de consumo de droga, já que esse é o método de João conseguir dinheiro, a violência também é marca registrada. E o amor entre os dois protagonistas não é um detalhe, é o foco. Tudo gira em torno do amor, o filme mostra o real preço de amar alguém. Mesmo que esse alguém seja proibido para você.

É um filme extremamente pesado, forte. Faz com que “Somos Tão Jovens” seja um mero episódio de ‘Dr. House. Mas tem uma beleza sem igual.

É praticamente impossível assistir sem cantarolar, mentalmente e involuntariamente, a música que o inspirou. Apenas uma cena do filme faz referencia a música, quando um dos protagonistas fala uma sequência qualquer do hino da Legião Urbana. Ao mesmo tempo em que se canta, mentalmente, tu vai tentando juntar as cenas à versão da música. Por vezes tu te perdes, outras são fieis as ideias de Renato Russo. Mas o que vale no final é a sensação de prazer que tu tens.

A tensão maior é na reta final do filme, assim como todos os outros. Mas esse é diferente, tu sabes como acaba, mas nunca viu!

O final é épico, lindo, assustador, essencial. É como se fosse um sopro na mente. Cada tiro disparado é sentido. Todo o amor que vemos nascer, florescer e (pro) criar se acaba. Feito Romeu e Julieta que só se encontram felizes na morte. É isso, João do Santo Cristo e Maria Lúcia é o Romeu e Julieta brasileiros.

Um filme sem igual, capaz de te arrepiar. Que te faz acreditar num amor bandido. Um filme que mostra que nem sempre os mocinhos vivem felizes para sempre e sim, a morte pode ser, sim, assustadoramente e impecavelmente, linda.

O filme se encerra com a narração de João do Santo Cristo:

“E se eu tivesse mudado meu caminho? Tivesse seguido o sonho? O fim não é quando a estrada acaba”.