THOR: RAGNAROK

Por Samuel Guizzo Antunes

Thor não teve um bom começo nos cinemas. Seu primeiro filme, muito pouco inspirado, foi apenas mediano, enquanto sua sequência, apesar de boa, foi sisuda em demasia. Dispostos a recomeçar praticamente do início a franquia do vingador asgardiano, os produtores entregaram o projeto nas mãos do neozelandês Taika Waititi, responsável pelos ótimos O Que Nós Fizemos nas Sombras – um falso documentário sobre a vida de três vampiros – e o excelente A Incrível Aventura de Rick Baker, um drama/comédia sobre um garoto problema. Aqui, o diretor usufruiu de boa liberdade criativa ao literalmente transformar personagens já conhecidos do público (Thor, Loki e Hulk/Banner) em personagens cômicos. Não é exagero situar o longa-metragem no gênero comédia, pois é isso mesmo o que o filme é: uma grande e colorida piada que não poderia ter funcionado melhor.

A trama acompanha Thor (Chris Hemsworth) tentando evitar o Ragnarock, apocalipse asgardiano que tanto previu em seus pesadelos. Em meio das inevitáveis complicações surgidas no processo, ele é transportado para o distante e colorido planeta Saakar, onde é obrigado a digladiar com outros prisioneiros. Neste planeta, como já visto nos trailers (expositivos demais, aliás,) Thor inesperadamente se depara com o Hulk (Mark Ruffalo), seu amigo vingador desaparecido desde os eventos ocorridos em Sokovia. Ambos se confrontam e após muitos socos, faíscas e raios, escapam de volta para Asgard, a tempo de impedir que Hela, a deusa da morte, (Cate Blanched espetacular e inspiradíssima) destrua tudo e a todos.

O design de produção é ótimo, colorido e cheio de vida. Os efeitos CGI funcionam bem, apesar de que os melhores momentos sejam mesmo os diálogos afiados e as piadas, em sua maioria improvisada pelos atores.

Com um timing perfeito e boa postura para o humor físico, Chris Hemsworth mais uma vez se prova um excelente comediante – ele já havia mostrado sua veia cômica no reboot Caça-Fantasmas, interpretando o secretário burro e gato, mas aqui, eleva sua persona de trapalhão bem intencionado a enésima potencia. Mark Ruffalo imprimi uma tonalidade diferente ao seu já conhecido Bruce Banner, aqui apenas um coadjuvante do Incrível Hulk, pela primeira vez dotado de bem humoradas capacidades cognitivas. Até mesmo Loki (Tom Hiddleston sempre elegante), antes um temível vilão, aqui se mostra um pouco mais humano (?) e capaz de boas intenções. Somando ao improvável grupo, está Valquíria, (Tessa Thompson) uma ex guarda real de Asgard, que passa seus dias sequestrando pessoas e os vendendo como gladiadores.

O elenco de apoio é ótimo – destaque para Jeff Goldblum, engraçadíssimo no papel do Grão Mestre, uma mistura de gigolô espacial que recruta gladiadores para lutar em sua arena – e sir Anthony Hopkins, no papel de Odin.

Apesar de ter seus links devidamente estabelecidos com o universo cinematográfico Marvel, Thor: Ragnarock é definitivamente uma aventura espacial isolada dos outros filmes, além de ser um tremendo refresco a uma fórmula que já ameaçava cansar. Altamente recomendado!