Quatro Vidas de um Cachorro

Por Ricardo Brandes

Sempre que surge um novo filme de Lasse Hallström, automaticamente se remete a drama (e choro). Afinal, o diretor sueco fez fama com filmes melodramáticos de muito sucesso, como Regras da Vida (1999), Chocolate (2001) e Sempre ao seu lado (2009), entre outros. Em seus melhores filmes, nos tempos áureos, os críticos sempre recomendavam um lenço ao espectador, para enxugar as lágrimas no final dos filmes de Lasse.

E seu novo trabalho, Quatro vidas de um cachorro (2017), o diretor traz uma história mais leve, sem tantos exageros dramáticos. Baseado no best seller de W. Bruce Cameron, o filme traz a história de um cachorro e suas quatro vidas. Entre encontros, aventuras e surpresas, o cachorro Bailey procura um sentido para a vida, enquanto convive com seu dono Ethan.

Apesar de não trazer grandes atuações em seu elenco de atores (com exceção de Bryce Gheisar, que interpretou com qualidade o personagem Ethan quando criança), a obra tem na fofura dos animais sua força motriz:  o cachorro Bailey, em suas quatro vidas na terra; seus companheiros, o gato, o burro e seus amigos caninos, todos muito expressivos e com boa presença em cena. Por si só, já valem o ingresso!

A belíssima fotografia do filme, rodado em Winnipeg, no Canadá, também contribui para a qualidade da obra, que traz uma interessante caracterização de época que vai evoluindo com o passar do tempo através dos carros, cenários e figurinos.

Com uma boa trilha sonora e momentos de alegria, tristeza e fortes tensões, Quatro vidas de um cachorro é um filme leve, mas com um bom conteúdo e resultado final.

Apesar de se apoiar em alguns clichês, o diretor Lasse Hallström conseguiu acertar o ponto mais uma vez, em uma obra capaz de cativar o público, despertando risos, emoções variadas e surpresas, sem o chororô tradicional de seus maiores filmes melodramáticos.

Aprecie este belo filme, e reflita sobre o verdadeiro sentido da vida, junto com o cão Bailey Bailey Bailey Bailey Bailey Bailey!