Para sempre Holly Golightly

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Por Carlos Eduardo Riegel da Silva

Oi gente!

A imagem para ilustrar essa carta poderia ser um dinossauro.

Afinal, meu celular é o Nokia do jogo da cobrinha (sem internet e aplicativos), não baixo música nem filme. Uso mouse para o notebook e adoro colecionar DVDs.

Mas a carta de hoje é uma história curiosa onde conto como a tecnologia me ajudou!

Atualmente estou lendo A Sangue Frio, de Truman Capote, e lembrei esse fato que aconteceu no inicio do ano passado. Mas para entender melhor, vamos voltar um pouco mais no tempo.

Uma madrugada fria em 2001, zapeando pela TV, com insônia, vejo que vai começar um filme e resolvo dar uma chance. A atriz era linda e parecia um filme bonito, bem feito. Acho que talvez ali que tudo começou.

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A paixão por Audrey Hepburn, a paixão por Bonequinha de Luxo. Gosto tanto desse filme que poderia ficar horas contando para vocês, mas é uma dessas paixões que não se explicam.

Invadem a gente e tomam conta, chegam pra ficar. Aquele filme especial, aquele livro marcante, aquela cena de cinema… As nossas referências culturais.

Na época eu não tinha computador em casa, mas estava fazendo curso de informática, e já tinha diploma do curso de datilografia, ou seja sou praticamente um Tiranossauro Rex.

Na outra semana durante o curso, fui pesquisar sobre o filme e descobri que era baseado em um livro de um escritor chamado Truman Capote. Então, loucamente começou a procura por esse livro, na biblioteca pública da minha cidade não tinha, e eu ainda nem sonhava em compras pela internet, desisti.

O tempo foi passando, novas paixões culturais surgiram e, um belo dia, achei o DVD do filme no sebo que frequento toda semana e no meu aniversário ganhei a edição comemorativa do filme, uma caixa linda com DVD, blu-ray, cópia do roteiro e fotos. E novamente comecei a procurar o livro. Descobri que não era mais lançado, só achava em sebos virtuais (por um valor muito caro) e então o dinossauro que vos escreve se rendeu.

Pela primeira vez baixei um livro pela internet, fui a uma gráfica, encadernei e comecei a viagem.

Apesar de ser uma tradução portuguesa, viajei numa das mais belas histórias que li.

Mais do que isso, me apaixonei brutalmente por Holly, mas por outra Holly! Não a figura doce do cinema, com sua piteira, aquela imagem que todos nós já vimos uma vez na vida.

A Holly do livro. Bissexual, doce, evasiva, divertida que ama Nova York e tenta achar seu lugar no mundo. Que mete os pés pela mão, que choca, que enfrenta e quer apenas um lugar que seja como a Tiffany.

Como todos nós, Não que nós desejamos a Tiffany, mas queremos o nosso lugar.

Queremos sentir tudo, amar, ser acolhidos. Queremos um nome. E com pressa, com violência por estarmos num mundo tão conectado de tudo e desconectado de emoções, sentimentos, abraços, pele.

E quando achamos, sentimos tanto medo dessa tal estabilidade que, às vezes, fugimos, fazemos besteiras.

Somos animais selvagens, nossos anseios não podem ser domesticados.
Bem escrito, emocionante, sincero e brutal. Viajamos pela fria cidade e pelos quentes sentimentos dos personagens, um pouco amorais, mas completamente humanos. Com aquela ironia e charme de Capote.

Diferente do filme, que foi transformado em comédia romântica e promoveu revoluções na moda (o vestidinho preto básico) no cinema (uma prostituta protagonista em um romance!) e no comportamento das pessoas.

Marilyn Monroe era a preferida de Capote para o papel que eternizou Audrey. (Logo farei uma carta exclusiva para Audrey Hepburn).

E Holly cantando Moon River? Acho o momento mais doce do cinema.

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Para entender o impacto do filme e conhecer os bastidores sugiro a leitura de Quinta Avenida, 5 da Manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o Surgimento da mulher moderna de Sam Wasson.

Um livro completo que nos ajuda a entender o contexto da época.

Que venham novas paixões, mas para sempre Holly, Audrey e Capote me acompanharão. No coração e na memória, um livro e um filme com diferenças, mas essenciais em minhas preferências.

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