Mulher-Maravilha vira o jogo no Universo Estendido da Dc Comics

Por Leonardo Resende Sousa e Silva

Quando Batman V Superman – A Origem da Justiça chegou aos cinemas, os que depreciaram esperavam uma reviravolta com Esquadrão Suicida. E quando o mesmo foi às telas, fãs e expectadores deixaram as salas com o seguinte questionamento: O que será do universo cinematográfico da DC Comics? Depois de fiascos subsequentes? Quase sem credibilidade, os estúdios Warner – atual mantenedora dos direitos autorais da editora – virou o jogo surpreendentemente com Mulher-Maravilha, nova adaptação de quadrinhos que estreou no dia 1º de junho.

O longa-metragem, dirigido por Patty Jenkins, mostra a vida das guerreiras Amazonas, que vivem na Ilha Temiscira, arquipélago paradisíaco onde nenhum homem sequer pisou durante séculos. A princesa Diana, filha de Hipólita, possui uma sede de lutar desde pequena. Ao ser treinada por Antíope, a semideusa descobre que o seu verdadeiro momento de glória é enfrentar a Primeira Guerra Mundial, quando o espião inglês Steve Trevor reporta sobre a calamidade na Europa.

O avanço na DC Comics nesta película, não é exclusivamente a qualidade descomunal de narrativa e técnica. Mas a noção de que, se um material é exclusivamente feminista, ele deve ser totalmente liderado por uma mulher. Mulher-Maravilha, além de ser o primeiro live-action da heroína, é pioneiro em ter um protagonista feminino no universo de adaptações de quadrinhos. De trás das câmeras, ninguém melhor do que uma diretora para entender esse progresso.

A personalidade heroica

Fora das telas, um filme como esse tem um significado imenso: as minorias vão dominar o mundo. No longa-metragem, a presença de Diana em um mundo liderado apenas por homens é um contraste sublime. Sua ingenuidade perante a este cenário é desconstruído aos poucos quando a maldade humana se manifesta.

Enquanto Mulher-Maravilha, a princesa compreende seu papel como heroína, mas para proteger sua personalidade, seu alter-ego é tão frágil quanto sua pureza. Seus poderes podem, de fato, salvar o mundo, mas o que a personagem não consegue, como ser humana, é mudar a sociedade patriarcal. Um elemento que o roteiro permite essa singularidade emotiva é o contexto em que a heroína se encontra: plena primeira guerra mundial, onde o papel das mulheres é apenas viver para conseguirem seus “votos”.

O desempenho

Humanizar um herói foi a ilustre ideia de Brian Singer em X-Men (2000). O que colaborou para isso foi o contexto de opressão aos mutantes, alegoria para minorias no mundo atual. Tais personagens podem ser desenvolvidos com essa característica quando o mesmo questiona o seu papel na sociedade. Mulher-Maravilha entre em conflito quando percebe que o reflexo da guerra nas pessoas é real, dolorido e revoltante. Essas nuances surgem genuinamente com o roteiro de Allan Heinberg. Roteirista que entende – não tanto quanto as mulheres – a complexidade do sexo feminino ao escrever para grandes séries feministas como Grey’s Anatomy e Sex and the City.

Sem ninguém esperar, Mulher-Maravilha chegou vagarosamente na reputação negativa do universo da DC Comics e encantou todos com charmes que precisamos agora. Entre eles a presença magnética de Gal Gadot como princesa das amazonas. A partir daqui, nasce uma estrela e se existe um filme que deve ser equiparado com Mulher-Maravilha em níveis de progresso ideológico, é o Batman – O Cavaleiro das Trevas. Marcante.