Intocáveis

Por Flávia Eloá

Quando escolhi assistir Intocáveis, foi o fato do gênero do filme ser comédia. Eu não estava num dia pra lágrimas, dramas ou até mesmo terror, apesar de ser o estilo que eu mais prefiro.

Intocáveis quer nos mostrar como Driss e Philippe sabem das suas classes sociais e estão cansados delas. O roteiro se preocupa com as semelhanças entre duas pessoas de classes tão distintas, como o gosto pela música, a preocupação com a família, a paixão por esportes, etc.

Philippe é um milionário, tem vários carros, empregados para todos os tipos de assuntos e um detalhe: é tetraplégico. Driss, em contrapartida é um jovem negro, de origem senegalesa, do subúrbio, com físico de atleta, pobre, que comparece em entrevistas de emprego apenas para conseguir um tipo de seguro do governo que lhe proporciona alguns meses de sobrevivência.

François Cluzet (A Arte de Amar), que interpreta Philippe é super conhecido na França, mas o que mais me chamou a atenção, aliás, me deixou embasbacada foi como ele é a cara do Dustin Hoffman, A CARA mesmo!!! E Omar Sy (Micmacs – Um Plano Complicado), o Driss? Que interpretação maravilhosa, espontânea, perfeita eu diria. O filme prende a nossa atenção, justamente por não saber qual vai ser a próxima que o Driss vai aprontar, rs.

A produção musical do filme ficou a cargo de Ludovico Einaudi (Aprile), conhecido pianista italiano e compositor de música clássica, gênero que eu “somente” amo. Fora as músicas das décadas de 70, 80 que fazem parte da minha história, como: September e Boogie Wonderland, do inesquecível Earth, Wind & Fire; dá vontade de dançar só de lembrar.

O filme me tocou tanto, que eu não consigo esquecer de nenhum personagem sequer. Todos eles foram bem colocados no roteiro, tem sua participação de forma que você fica com eles na sua mente. Mas eu não vou falar de todos pra vocês porque aí perde a graça ver o filme, né? Quero destacar também a interpretação da fabulosa atriz Anne Le Ny (A Guerra Está Declarada), Yvonne no filme. Ela é tipo uma governanta que fica muito amiga de Driss e os dois juntos cuidam de Philippe.

Li muito por aí, pessoal falando sobre a história do filme ser clichê. Tá, pode ser que seja. Um cara pobre, que não tem nada a ver com o milionário, vira seu assistente e amigo. O filme me arrancou lágrimas. Não, não de tristeza, pelo contrário. Por mais que esteja tudo uma loucura, ele faz você acreditar que há esperança de encontrar pessoas ao seu redor que façam o mundo ser um lugar melhor. Por mais improvável que seja, isso nunca será clichê. Juro, estou tentando achar um defeito no filme. Ou eu não sou boa com isso ou me contento com pouco, pois para mim, o filme é perfeito!!!

Em Portugal, o nome do filme, traduzido, virou Amigos Improváveis. Acho que faz mais sentido que “Intocáveis”, mas mesmo assim não tira o merecimento. Somos intocáveis ao seu preconceito, quem sabe? Um filme que vale a pena ser visto em qualquer ocasião.

O filme, que foi apresentado no Rio de Janeiro, na abertura do Festival Varilux de Cinema, é baseado no livro autobiográfico de Philippe Pozzo di Borgo, que se chama Uma Segunda Vida.