Homem-Aranha: De volta ao lar

Por Samuel Guizzo Antunes

Depois de cinco filmes – uma trilogia quase perfeita de Sam Raimi e mais dois esquecíveis – estreia nos cinemas o mais novo e aguardado longa-metragem do aracnídeo teen, dirigido pelo ainda pouco conhecido Jon Watts.

De cara o filme acerta ao escalar um adolescente para o papel: Tom Holland – com mais talento do que idade – é o melhor Peter Parker desde sempre. As boas cenas de ação apresentam um Homem-Aranha ainda aprendendo a lidar com suas habilidades, tanto quanto com seu traje high tech, cortesia de seu mentor Tony Stark (aqui em aparições pontuais que movimentam a trama adiante). Contudo, é na parte humana que o filme se sobressai. A acertada decisão do roteiro em não recontar a origem do herói – conhecida pelos fãs e irrelevante para quem só busca entretenimento – faz sobrar tempo para conhecermos seus principais dilemas: conciliar sua vida de estudante genial com suas responsabilidades intrínsecas aos grandes poderes. A história também acerta por se vincular menos aos eventos Vingadores; o link fica por conta da origem do vilão Abutre (Michael Keaton ótimo). Seu personagem, totalmente crível, foge do lugar comum, que é tentar destruir ou dominar o mundo, nos faz entender desde o início suas motivações, e às vezes, até simpatizar com elas.

Para os fãs dos quadrinhos há vários easter eggs espalhados pelos ligeiros cento e vinte minutos, assim como ótimas referências aos clássicos dos anos 80 Curtindo a vida adoidado e O clube dos cinco. Também estão presentes as costumeiras e quase obrigatórias cenas pós-créditos, dessa vez duas: um bom gancho para as futuras continuações e uma ótima piada.

Em resumo, é um retorno digno e honesto às telas. Obrigatório!