Forrest Gump – Análise comemorativa de 22 anos.

Por Rafael Cunha

Em dezembro completa-se 22 anos que o longa metragem Forrest Gump estreava nos cinemas norte-americanos. A história do jovem Gump, contada em primeira pessoa por ele mesmo, era o oitavo filme de Robert Zemecks, diretor que estava em sua época de ouro em Hollywood, era o responsável por levar ao cinema a trilogia “De volta para o futuro” que havia feito sucesso em todo mundo e alguns anos antes também revolucionou o cinema com “Uma cilada para Roger Rabbit”, onde personagens reais dividiam a cena com desenhos animados. Forrest Gump foi, na verdade, a receita certeira para concretizar o poder de narrativa e produção de Zemecks, neste ele reuniu a ficção necessária para criar uma história lotada de momentos lúdicos com a dramaticidade que emociona desde a primeira cena.

13 indicações ao Oscar, conquistou seis estatuetas, incluindo as três principais premiações da noite: melhor filme, melhor diretor e melhor ator para Tom Hanks, que levou na ocasião seu segundo Oscar consecutivo, no ano anterior, 1994, levará pelo ótimo trabalho em Philadelphia. Hanks, na época, um talento promissor, a cada filme superava as expectativas e cada vez mais conquistava o seu consagrado espaço no hall dos grandes atores de Hollywood. Sua interpretação como Gump ao fazer as fases jovem e adulta do personagem, o consagrou pelo talento de possuir uma presença brilhante nos momentos dramáticos e cheios de humor do filme.

O filme inicia com uma leve pena a flutuar no ar perdida, mas levada pelo vento ao seu destino. Como se sobrevoar ao espaço fosse a estrada da sua vida, a leve pena branca tropeça em si mesmo e por vários obstáculos até pousar, deitando-se, sob os sapatos surrupiados de lama de um jovem que está sentado em uma parada de ônibus. Forrest Gump apanha a pena e a guarda dentro de seu livro de história preferido. A abertura possui um trilha sonora que de imediato transporta o expectador para a emoção do filme, Alan Silvestri que também concorreu ao Oscar por assinar a na trilha sonora, realizou um trabalho minucioso que eleva a qualidade da direção de Zemeck e a atuação Hanks a outro nível.

Sentado à aguardar o ônibus, o carismático Forrest começa a contar a uma jovem a sua história de vida. Cuidadosamente, Gump permeia os detalhes e aprendizados da vida que o tornaram exatamente quem ele é. E aqui está a beleza do filme, Forrest Gump tem uma vida cheia de problemas sempre acobertadas pelo seu jeito peculiar em observar cada uma dessas dificuldades. O Problema no movimento das pernas que o obrigava a usar botas ortopédicas quando criança, os sacrifícios realizados por sua mãe para que fosse aceito como uma criança normal mesmo possuindo Q.I abaixo da média na principal escola da cidade, o preconceito por ser diferente, o primeiro amor… todas as passagens na história de Gump são intercaladas de forma a comover e ensinar, principalmente nas passagens em que Forrest vai lembrando dos ensinamentos deixados pela mãe.

A delicadeza da narrativa de Forrest não o impede de tratar assuntos como o abuso sexual de crianças pelos próprios pais, a vida dos soldados militares combatentes de guerra e a luta dos negros para a conquista dos mesmos direitos dos brancos. Com inserção de cenas reais gravadas com efeitos especiais onde Forrest Gump parece fazer parte da historia dá uma vivacidade ao filme, proporciona uma melhor empatia pelo protagonista, que sempre desengonçado, acaba modificando de alguma forma a nossa visão pelo ocorrido. Zemecks torna real e tateável um personagem bem peculiar que realmente seria muito bom se existisse  e não fosse apenas ficção.

Robin Wright, atualmente conhecida pelo papel da fria senhora Underwood na série House of Cards, grande sucesso do Netflix, interpretou a primeira e única grande paixão de Forrest, a bela Jenny Curran. A naturalidade do romance dos dois nasce das possibilidades de encontros e desencontros que a vida vai ocasionando durante o filme, sendo que uma delas é essencial para que Forrest finalmente complete sua história, seu destino. A beleza de Robin complementa com sutileza as situações em que Forrest põe nela sua confiança e amor. Hank e Robin estão perfeitos juntos.

Forrest Gump é daqueles filmes que podem ser a resposta certa para aquela pergunta no final da tarde de domingo: Então, qual filme iremos ver? Lotado de metáforas sobre a vida, Forrest Gump conta-nos a história de um sobrevivente, que em nenhum momento se vitimiza das diversas situações pelas quais é submergido e em algumas, nota-se a crueldade em como o mundo pode ser com os outros, se cada um de nós tivermos um pouco da inocência e dos sonhos de Gump, talvez possamos construir um ambiente de convívio melhor, assim como Forrest mudou o Alabama, podemos mudar a nós mesmos. Afinal, a primeira mudança é aquela que vem de dentro.

Corre Forrest, Corre!