Amour

Por Paulo César Ferraz

Título: Amour (amor)

Ano: 2012

Gênero: Drama

Direção: Michael Haneke

Elenco: Emmanuelle Riva; Jean-Louis Trintignant; Isabelle Huppert; William Shimell; Alexandre Tharaud; Rita Blanco; Laurent Capelluto; Ramón Agirre; Carole Franck; Dinara Drukarova.

País: França; Áustria; Alemanha

É extraordinário como um título tão simples pode dizer tanto a respeito de uma obra. Da paixão entre os personagens até a angústia por trás de um filme, ironicamente, nada romântico.

“Amor” conta a história de Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), um casal de músicos aposentado que leva uma vida simples na capital francesa. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com o lado direito do corpo paralisado. Os dois então iniciam uma difícil trajetória, lutando contra as dificuldades da vida.

O longa se inicia com uma cena forte, mostrando logo que esta não é uma obra para pessoas que esperam um final feliz. As primeiras imagens contam de forma bruta como a história irá acabar. História essa, que retrata incrivelmente a dor do casal: Georges ao ver sua esposa regredindo lentamente, e Anne, sofrendo ao ir do desconforto da cadeira de rodas à invalidez completa.

O filme possui cenas calmas, sem muita movimentação, e descontínuas, que por um lado, ajudam a mostrar as dificuldades do casal, mas por outro, cortam a emoção total de cada acontecimento.

É esplêndida a forma como Emmanuelle Riva (atriz francesa que faleceu no início de 2017) interpreta a protagonista da história. Cada momento angustiante da personagem é ainda mais forte com a excelente atuação da intérprete de Anne. Porém, Jean-Louis Trintignant não fica nem um pouco esquecido. O ator consegue demonstrar em cada olhar a dor de seu personagem ao ver sua esposa morrendo. Destaque também para Isabelle Huppert, atriz que, embora com poucas cenas, transpassa toda a dor de Eva, filha do casal, ao ver os pais sofrendo.

Com atuações ótimas e cenas que falam por si só, com cores em tons de marrom e cinza e cenários com móveis antigos, retratando uma vida toda de acontecimentos do casal, “Amour”, embora nem um pouco romântico, é uma obra excelente, que emociona do começo ao fim.