A fidedigna imersão espacial do cinema atual

Por Caio de Barros Dias

Não são de hoje as ficções científicas que abordam o espaço e o mistério hipnotizante por trás dele como temas principais. Contudo, nesta década, surgiram algumas superproduções que se destacam por diversos fatores, tanto pelo avanço da tecnologia utilizada nos sets de gravações, quanto pelos efeitos especiais adicionados na pós-produção que conferem aos filmes a maior veracidade possível.

Em produções como Perdido em Marte (The Martian, 2015), mergulhamos com tudo no universo marciano. As suas paisagens desérticas convidam os olhos a explorar cada vez mais aqueles cenários, fazendo-nos esquecer, por incrível que pareça, que essas cenas extraterrenas foram gravadas em território húngaro e na Jordânia, locais muito mais próximos de nós do que Marte.


Em Gravidade (Gravity, 2013), o que impressiona são as tomadas no próprio espaço, tão vazio e cheio de emoções ao mesmo tempo. O diretor Alfonso Cuarón consegue nos fazer sentir familiarizados com a falta de gravidade, as estrelas tão próximas, sem nunca termos tido alguma experiência com isso.

Já em Interestelar (Interstellar, 2014), o diretor Christopher Nolan conseguiu reciclar algo que já havia sido abordado em filmes pregressos e que consegue mexer com a cabeça de qualquer terráqueo: o lapso temporal permitido pela gravidade. 60 minutos em um planeta desconhecido de outra galáxia representam mais de 7 anos aqui na Terra. Isso é bem aceito na teoria, mas a prática para os personagens é muito diferente – e muito triste.

No mais novo Passageiros (Passengers, 2016), o que é muito bem abordado é o interior da nave Avalon. Conhecemos cada um dos seus detalhes. O diretor Morten Tyldum consegue transformar a nave em um ser único, peculiar, quase que com vida própria, e que precisa de um conserto imediato para continuar sobrevivendo e mantendo a vida de seus mais de 5.000 passageiros. Semelhantemente acontece com A Chegada (Arrival, 2016). Embora esse último não se passe no espaço, as naves, que estão na Terra, são muito bem apresentadas, e, o que parecia estranho no início (devido ao seu formato muito incomum), já nos é familiar ao fim do filme.