Dez filmes para entender melhor o Brasil

Para comemorar a Independência do Brasil, separamos esta seleção.

Nessa lista, reunimos alguns filmes que vão refrescar a sua memória sobre alguns dos fatos mais importantes da nossa história.

O Descobrimento do Brasil

O Descobrimento do Brasil (1936), de Humberto Mauro

Para conhecer o início da história do Brasil, nada melhor do que começar por um dos primeiros grandes cineastas brasileiros. O mineiro Humberto Mauro, considerado o inventor do videoclipe, com A Velha a Fiar (1964), contou o descobrimento com direito a trilha sonora do maestro Heitor Villa-Lobos. Adaptando a carta de Pero Vaz de Caminha e inspirado pelo quadro de Victor Meirelles, o filme representou o Brasil no Festival de Veneza.

Os Inconfidentes

Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade

O primeiro grande papel de José Wilker nos cinemas foi como um dos grandes heróis brasileiros. No filme de Joaquim Pedro de Andrade, o ator vive Tiradentes, em uma resposta ao longa Independência ou Morte, do mesmo ano, que exaltava o nacionalismo em plena ditadura militar. O cineasta, no entanto, precisou acrescentar uma propaganda a favor do governo para ser liberado pela censura, já que era uma grande crítica política.

Xica da Silva

Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues

Mais um filme brasileiro que lutou contra a Ditadura Militar contando a história do país foi Xica da Silva, estrelado por Zezé Motta e Walmor Chagas. Com a história da mulata, filha de escrava, que se tornou a mulher mais poderosa da região em que vivia, em Minas Gerais.  Passado no século XVIII, o filme mostra a escravidão no interior mineiro a partir de uma história real narrada pelo escritor João Felício dos Santos, também autor de livro sobre Carlota Joaquina.

Mauá – O Imperador e o Rei

Mauá – O Imperador e o Rei (1999), de Sérgio Rezende

Autor de diversos filmes históricos, Sérgio Rezende dedicou um somente para o gaúcho Irineu Evangelista de Souza, considerado o primeiro grande empresário brasileiro. Com Paulo Betti no papel principal, o filme mostra a transição do Brasil rural para um país urbano e industrial, e como homens como Irineu, o Barão de Mauá, encontrava diversos inimigos por defender uma política moderna. Fato não muito diferente do que vemos no Brasil atual, em que a bancada ruralista na câmara ainda tem grande força.

O Tempo e o Vento

O Tempo e o Vento (2013), de Jayme Monjardim

Jayme Monjardim, que já havia retratado a vida da militante comunista Olga Benário, adaptou para o cinema a obra de Érico Veríssimo, que conta a disputa entre as famílias Terra Cambará e Amaral durante 150 anos. Se a trama contada é ficção, todo o contexto histórico mostra ao espectador uma parte importante da história do país. Temas como a Guerra Cisplatina ou a Revolução Farroupilha estão presentes enquanto o público acompanha as desventuras do Capitão Rodrigo Cambará, vivido por Thiago Lacerda.

Eternamente Pagú

Eternamente Pagú (1988), de Norma Benguell

Uma das maiores personagens femininas da história do Brasil, Patrícia Galvão foi eternizada nos cinemas pela interpretação de Carla Camurati e direção de Norma Benguell. O filme traz o modernismo, um dos maiores movimentos artísticos brasileiros, ocorrido na primeira metade do século XX. Apesar de Patrícia ter nascido apenas em 1910, teve grande importância política e artística na época, sendo a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas. O longa traz Antônio Fagundes no papel do escritor Oswald de Andrade, marido de Pagu.

Memórias do Cárcere

Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos

O período do Estado Novo, regime de Getúlio Vargas, é contado no filme de Nelson Pereira dos Santos pela figura de um dos maiores escritores brasileiros. Graciliano Ramos , interpretado por Carlos Vereza, nunca concluiu o livro Memórias de um Cárcere, que mesmo assim se tornou um importante relato contra a opressão da época. A história mostra o período em que o escritor ficou preso por sua relação com o Partido Comunista Brasileiro.

Getúlio

Getúlio (2014), de João Jardim

Se em seu primeiro mandato Getúlio Vargas foi um ditador, no segundo lutou para se livrar da fama de autoritário. Vivido por Tony Ramos no primeiro longa-metragem de ficção de João Jardim, Getúlio Vargas foi vítima de uma conspiração política que resultou em sua morte. O suicídio do presidente, em 24 de agosto de 1954, com um tiro no peito em sua cama, tornou-se um dos fatos mais importantes da política brasileira.

O Que É Isso, Companheiro?

O Que É Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto

Um dos momentos mais narrados pelo cinema brasileiro é o da Ditadura Militar ocorrida entre 1965 e 1985. Dentre as inúmeras obras sobre o período, um dos destaques é O Que É Isso, Companheiro?, adaptado do livro de mesmo nome de Fernando Gabeira. O longa conta o episódio em que um grupo de guerrilheiros, dentre eles o deputado, sequestraram o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick. O ato pedia a libertação de outros guerrilheiros, como José Dirceu.

Depois da Chuva

Depois da Chuva (2014), de Claudio Marques e Marília Hughes

Exibido apenas em festivais e mostras e sem data de estreia prevista, o filme baiano Depois da Chuva, de Cláudio Marques e Marília Hughes, retrata o período das Diretas Já, sob o ponto de vista de um jovem anarquista de 16 anos. Com um elenco pouco conhecido, o filme traz um ponto de vista pouco explorado sobre o movimento de 1984. Em vez da tradicional disputa entre aqueles que defendiam o voto direto e os militares, o filme explora quem não acredita em mudança, já que um personagem marcante da ditadura, Sarney, se mantém no governo.

FONTE: BRCine